“Que dons deveria ter [São Lucas] para compreender tão bem a vida de Nosso Senhor, a ponto de coletar os dados necessários e escrevê-la como ele a redigiu no Evangelho!” (Plinio Corrêa de Oliveira)

São Lucas Evangelista foi um santo cheio de dotes e boa cultura que exercia a profissão de médico. Foi o instrumento do Divino Paráclito para escrever o Terceiro Evangelho e o Ato dos Apóstolos. Agiu sempre querendo expor e defender a Verdade, conforme vemos no início do seu Evangelho: “Visto que muitos já empreenderam por em ordem a narração das coisas que entre nós se cumpriram, como no-las referiram os que, desde o princípio, as viram, e foram ministros da palavra; pareceu-me bom também a mim, excelentíssimo Teófilo, depois de ter investigado diligentemente tudo desde o princípio, escrever-te por ordem a sua narração para que conheças a verdade daquelas coisas em que foste instruído”.

Pelo seu perfil, se ele estivesse vivo nos tempos atuais, acho que gastaria muito tempo escrevendo para esclarecer as pessoas

O pintor da maior obra de Deus

Mas não é sobre isso que desejamos falar, pois o foco de hoje é destacar o seu talento pictórico. Isso porque graças a esse seu dom ele teve oportunidade de fazer ícones sobre a maior obra de Deus enquanto pura criatura, que foi Maria Santíssima. Diz-se que vários ícones que ainda existem foram feitos por ele. Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, Nossa senhora de Czenstochowa, Nossa Senhora do Caminho ou Hodegetria são alguns deles. Em Roma tem uma imagem nas Catacumbas de Priscila que é atribuída ao santo. Na cidade eterna também tem a imagem da Salus Populi Romani que, segundo a Tradição, foi pintada em um pedaço de madeira que integrava a mesa da última ceia de Jesus Cristo.

Esse ícone mariano fica na Basílica de Santa Maria a Maior, Roma

Se os leitores pesquisarem poderão constatar que esses ícones não retratam com exatidão as características de Nossa Senhora. Entretanto, sentirão um imponderável de benção que agirá como um bálsamo espiritual se fitarem com atenção e a alma aberta para a Graça. Faz parte da arte apresentar aspectos transcendentes da realidade.

Mas alguma pessoa poderia objetar que nessas pinturas não se encontra a verdadeira Maria. Certamente a resposta poderia ser a seguinte: agindo pela Fé Católica e buscando a Verdade se pode transmitir imponderáveis, retratar aspectos transcendentais ou manifestar impressões pessoais que coadunam com o verdadeiro Credo. O que realmente tem problema é mentir, tentar enganar ou manipular para levar ao erro, dizendo que deseja resguardar aquilo que é original.

Qui non intelligit aut taceat aut discat